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12/15/2007 Para acordar pela manhã, levantar da cama e atravessar o quarto, você paga um preço, um ônus. A energia necessária foi acumulada nas horas, dias e semanas anteriores, enquanto você se alimentava, exercitava e descansava. Sem isso, você nem mesmo acordaria. Dar um beijo, escrever uma carta, pegar um ônibus, dirigir um carro, pensar, fazer escolhas, colocar um produto no mercado, respirar, defender-se, atacar, amar, recuar, observar, viver... tudo exige um preço, um ônus, uma transformação. Este é um Princípio Natural conhecido por qualquer atleta. Suspenda os exercícios, comece a comer como um cavalo e beba álcool, como nos absurdos comerciais de TV, e a sua saúde e carreira vão para o buraco e levam você junto. Tudo são resultados. Tudo é transformação. Tudo é repetição sistemática. Um velejador não tenta mudar os ventos. Um velejador muda as velas de sua embarcação. Ele transforma o vento em energia para mover seu barco; o ônus é virar as velas para transformar o vento. Para criar um sistema solar inteiro, ou um pingo d'água, o próprio universo é obrigado a obedecer este princípio natural: para criar algo, é necessário gastar algo. Para fazer uma gota de água, o poderoso universo é obrigado a usar e transformar o vapor, que já existe. Nem mesmo ele pode "criar" uma gota d'água do nada. É necessário transformar e usar uma coisa que já está aqui, para fazer outra. O universo abre mão do vapor, para obter a gota. Não lute contra isso. Use isso.
Isso significa que aquele seu sonho, aquele seu desejo, aquela sua vontade de fazer algo, pode ser realizada desde que você transforme alguma coisa naquilo que deseja. É necessário pagar um preço, um ônus, para conseguir o que você busca. As vezes, é necessário abrir mão de algo que você gosta para ter algo muito melhor, que você também gosta. Com muita freqüência, a escolha recai sobre o modo como você usa seu tempo. Mas a melhor parte é que o ônus não é ruim, nem bom; apenas necessário. Muitas vezes o ônus é exatamente a parte divertida. Quer viver mais e melhor? o ônus é exercitar-se e escolher o que você come todos os dias. Quer o conhecimento? o ônus é investigar e estudar o assunto todos os dias. Quer o amor? O ônus é amar todos os dias. Quer clientes? O ônus é oferecer produtos melhores todos os dias. Quer filhos? O ônus é dedicar parte de sua vida a eles todos os dias. Quer ser feliz? O ônus é fazer alguém feliz todos os dias. Como diz o provérbio latino, "não há bônus, sem ônus". Isso vale para tudo e todos. Naturalmente, haverá tufões e furacões que acabarão virando seu veleiro e afundando seu projeto, em alguns momentos da vida. Prepare-se para esse dia e, quando chegar, recupere-se para voltar depois do furacão. E volte mais forte, se pos sível, ou mais fraco, se necessário, volte mais experiente, se possível, ou mais humilde, se o afundamento tiver sido causado por arrogância mas, acima de tudo, v o l t e. Você também é um resultado. Você também está se transformando. Você também é um sonho se realizando. Comece a construir seu castelo exatamente a partir de onde você está agora. Se existe somente barro fofo e pedra lascada, construa os primeiros tijolos. Comece a transformar seu mundo. Comece a pagar o ônus o mais cedo possível. Quanto mais cedo você começar e quanto mais vezes você repetir o pagamento, mais cedo colherá os resultados. então, por que não começar logo? Comece AGORA. 5/16/2005 Amor incondicional Amar é um verbo intransitivo, e um ato difícil de vivenciar. O amor verdadeiro, o que resiste a todas as dificuldades, o tempo, a distância e até as separações, são muito difíceis de se conquistar. Em uma época onde se valoriza o "ficar" e o descartável, assistimos diariamente meninos e meninas sofrendo pela falta de conhecimento e de pura "solidão". Apesar da Internet, das ondas do rádio, do celular barato, a falta de comunicação entre as pessoas ainda é gritante. Nas casas os pais estressados não conseguem conversar, tudo fica para depois. A preocupação é o alimento de hoje, a escola particular, os cursos de línguas, de informática, balé, jazz e outros. A nova forma de amor é a de cercar as pessoas que "amamos" de bens materiais... Amor, todos querem o amor, mas poucos sabem como viver o amor. Uns entregam-se a paixões malucas, daquelas que os olhos se encontram e em poucos minutos pede o encontro dos corpos numa explosão de instintos que faz até os animais se arrepiarem e saírem correndo. Outros, enxergam amores em pessoas que nem ao menos deu um sinal de que estão interessadas nesse amor, e sofrem... e sofrem Amor, todos querem o amor, mas a grande maioria ainda confunde amor com "propriedade" e quando encontram uma pessoa legal para viver experiências boas juntos, começam a tomar posse, instalando sensores e olhos na "vítima". Assim nascem as neuroses, os ciúmes doentios, a insegurança e um sentimento de vazio dentro das pessoas. Amor, todos querem o amor, mas muita gente anda buscando um amor que lhe dê segurança, estabilidade emocional ( e as vezes financeira), que lhe de ânimo e felicidade. Buscam o impossível, pois somos responsáveis pela nossa felicidade, e quando nos unimos á alguém devemos levar o melhor de nós, não esperar o melhor dos outros. Assim nascem as doenças "nervosas" e principalmente a depressão. Amor, todos querem o amor, e sem amor nada somos. Mas é fundamental que aprendamos amar incondicionalmente o ser humano, valorizando primeiramente nós mesmos como indivíduos que somos, inteligentes e capazes de decidirmos sozinhos o caminho que queremos percorrer. Quando deixarmos de entregar nosso destino, nossa felicidade nas mãos dos outros, começaremos a aprender de verdade o que é o amor. 5/4/2005 Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor?
"A vida é um teatro, da mesma forma que se faz um desenho, o vestuário é a máscara das suas personagens, aqueles que estão conscientes de que vivem uma obra devemos assumir o nosso papel e desempenhá-lo, mas sendo quem realmente somos...." 5/3/2005 A vida que você não escolheu, fez de você quem é.
Você não escolheu sua família, não escolheu suas experiências de infância, ou algumas da adolescência, não escolheu as dores e traumas pelos quais passou e não escolheu problemas físicos de nascimento ou causados por acidentes.
A boa notícia é: parabéns. Se você sobreviveu ao caos, imagine como será sua vida se passar a escolher os caminhos, escolher as pessoas e escolher as experiências; enfim, escolher suas escolhas! 4/16/2005 Para onde é que vão os versos que às vezes passam por mim como pássaros libertos?
Deixo-os passar sem captura, vejo-os seguirem pelo ar - um outro ai, de outros jardins...
Aonde irão? A que criaturas se destinam, que os alcançam para os possuir e amestrar?
De onde vêm? Quem os projeta como translúcidas setas? E eu, por que os deixo passar,
como alheias esperanças? Autora: Cecília Meireles 4/13/2005 Receita de mulher As muito feias que me perdoem,mas beleza é fundamental. É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso qualquer coisa de dança, qualquer coisa de haute couture em tudo isso (ou então que a mulher se socialize elegantemente em azul, como na República Popular Chinesa).Não há meio-termo possível. É preciso que tudo isso seja belo. É preciso que súbito Tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche No olhar. É preciso, é absolutamente preciso Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que umas pálpebras cerradas Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços Alguma coisa além da carne: que se os toques Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro. Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas No enlaçar de uma cintura semovente.Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras É como um rio sem pontes. Indispensável. Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida A mulher se alteie em cálice, e que seus seios Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas. Sobremodo pertinaz é estarem a cabeça e a coluna vertebral Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal! Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem No entanto, sensível à carícia em sentido contrário. É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!). Preferíveis sem dúvida os pescoços longos De forma que a cabeça dê por vezes a impressão De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos Discretos. A pele deve ser fresca nas mãos nos braços, no dorso, e na face Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior A 37,6 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras De primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros. Ah, que a mulher de sempre a impressão de que se fechar os olhos Ao abri-los ela não estará mais presente Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá. E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente, e nos fazer beber O fel da dúvida. Oh, sobretudo Que ela não perca nunca, não importa em que mundo Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre O impossível perfume; e destile sempre O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável. "Autor: Vinicius de Moraes"
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